23 de abr de 2009

Chapada dos Veadeiros by Special Guest: Dedé

A primeira vez que fui para a Chapada dos Veadeiros, não tinha a menor idéia do que o lugar poderia oferecer. Sorte a minha que a Natureza se prontificou a me mostrar, sem cobrar e sem esperar nada em troca.
No final do primeiro dia, depois de uma trilha até o impressionante Vale da Lua, desfrutei de um dos visuais mais sensacionais até hoje. Em pleno Cerrado, parei o carro no meio da estrada de terra que liga São Jorge a Alto Paraíso. À Oeste, o Sol ia se escondendo atrás de um planalto imenso e pintava o céu com todas as cores que se pode imaginar; do amarelo claro, laranja, vermelho aos variados verdes e azuis. Sobre mim, estrelas e constelações decoravam o caminho até a ponta Leste, aonde a Lua nascia enorme, amarelada, linda, sem nenhuma timidez. O recado estava dado: havia entendido a minha inferioridade diante daquela imensidão. Ao longo dos outros 3 dias, foram mais tantas outras paisagens e visuais delirantes. Voltar para a Selva de Pedra era uma (infeliz) necessidade; voltar a visitar a Chapada era uma certeza absoluta.
Depois de exatos 3 anos, finalmente o reencontro! E ela continua linda....Trilhei alguns caminhos já conhecidos, mas que valiam a pena serem revisitados. Comecei pelas formações rochosas e piscinas naturais do Vale da Lua. Para chegar lá percorre-se uma trilha tranqüila, sem guia, de aproximadamente 800 metros. Na época das chuvas, não é possível entrar na água e há risco de uma tromba d’água adiantar a volta. Na seca, é possível nadar em quase todas as piscinas naturais formadas pelas águas do rio São Miguel.
Depois do Vale, segui para Alto Paraíso; na estrada parei para apreciar o Jardim de Maytrea. É uma atração contemplativa, já que não é possível ultrapassar a cerca que limita o local. A beleza dele e a paz que ele proporciona, são indescritíveis; só vendo mesmo.
O dia terminou nas Loquinhas em Alto Praíso. A trilha é bem tranqüila, e é possível entrar em todos os poços formados por cada uma das 7 quedas d’água. O segundo dia merecia uma trilha mais difícil. Escolhemos os Saltos, dentro do Parque Nacional da Chapada. Uma caminhada de 10Km (total) leva a uma sequencia de 2 saltos (o primeiro de 120 metros e o segundo de 80 metros) e às corredeiras (que formam piscinas de hidromassagem naturais). Todo o percurso deve ser feito com guia e é possível “contratá-los” na entrada do próprio Parque. Só é preciso uma atenção especial em alta temporada ou feriados, quando muitos deles já têm grupos fechados. O último dia deveria contemplar mais uma trilha difícil até a cachoeira do Segredo, mas um desencontro com o guia frustrou o passeio. Parti então para o plano B: trilhar o Raizama, santuário de beleza selvagem. Também é um percurso fácil, de cerca de 3 Km (total). Na época das chuvas, é um passeio mais contemplativo, mas na seca é possível entrar na piscina de hidromassagem natural e nas piscinas formadas pelos rios São Miguel e Raizama. 
Dica importante: não faça as trilhas com pressa. Pare para observar a paisagem em volta; as flores do cerrado merecem atenção especial.
Vale a pena gastar mais algumas linhas para falar das cidades próximas visitadas. Em Alto Paraíso, as pousadas são um pouco mais “sofisticadas”. É possível ficar em quartos com ar condicionado e TV. Para comer, não deixe de passar no Jambalaya. O restaurante oferece pratos do dia ou outros pratos a La carte. Tudo muito gostoso. Saindo do restaurante, pare na loja ao lado e garimpe alguma peça decorativa do bazar. Vale a pena! Alto também conta com algumas lojas esotéricas e de produtos indianos. A cidade é circundada por várias cachoeiras, algumas de difícil acesso, feitos de preferência em veículos 4 x 4.

Dessa vez, fiquei em São Jorge, um povoado de cerca de 600 habitantes e nenhuma rua asfaltada, na porta de entrada do Parque Nacional da Chapada. Tive a sorte de aproveitar as festividades pelo aniversário do povoado, que acontece em 23 de abril. A população organiza uma missa na (minúscula) igreja e depois partem para uma procissão em homenagem a São Jorge, santo padroeiro do povoado. O evento termina na fogueira, com direito até a queima de fogos! É nessa época que acontece também o festival INTERNACIONAL de piadas, no bar do “Seu” Claro (para descobrir onde é o bar, pergunte a qualquer um na cidade). É, no mínimo, hilário.... Para comer, há algumas boas opções: depois de um dia inteiro de trilhas, faça um “almo-janta” no restaurante da Teia; comidinha caseira, com pratos vegetarianos e não vegetarianos, tudo muito bem temperado. Ela abre das 13:00 às 19:00, especialmente para atender aos trilheiros esfomeados. Não deixe de experimentar uma pizza na Lua de São Jorge, curtindo uma seleção musical variada que pode ir do forró a Cazuza, passando por sambas de Noel Rosa. Se quiser “beliscar”, pare na tapiocaria da Risalva, ou peça um lanchinho na loja da Jia. A hospedagem em São Jorge é, no geral, em pousadas simples, mas aconchegantes. É o caso da pousada em que fiquei - Alecrim do Campo. Júlia, a dona, é uma simpatia e uma ótima companhia para uma conversa na mesa do bar do ‘Seu” Claro, ou na rede da pousada. E para se locomover em São Jorge, faça tudo a pé. Use o carro só pra ir às trilhas ou à entrada do Parque.
Enfim, depois de 4 dias muito bem curtidos, voltei a Matrix....Selva de Pedras poluída, fria, cinza, nublada. E a vontade de voltar para o paraíso continua mais certa do que nunca! E nas próximas, quero arrastar meus amigos, claro....
Visitem a Chapada, visitem São Jorge. Levem os amigos, e os amigos dos amigos!
Nos encontraremos por lá.
Abraços a todos.
Débora (Dedé)
Nota do Caue: Todas as fotos foram feitas pela Dedé! P/ a Dedé: Simplesmente fantástico, muito obrigado!
TE ADORO!